É simples dizer que as leis da natureza não se aplicam ao Imaterial, embora viajar nele seja muitas vezes confuso para os magos, raramente é tão caótico a ponto de ser indescritível. Na verdade, apesar da colocação de itens poder parecer aleatória, eles geralmente operam da mesma maneira que seria esperado no mundo real. Um livro se abre para mostrar suas páginas, apesar de elas poderem estar em branco ou cheias de bobagens. Uma caneta e um tinteiro permitem que seu usuário as utilize para escrever, mas a caneta pode escrever com vontade própria e o tinteiro nunca seca. Esses itens que flutuam, geralmente pairam a uma altura parecida com a que estariam se os objetos que servem para apará-los existissem: velas suspensas no ar como se fossem carregadas por um castiçal fantasma, por exemplo.

Por que as leis do Criador se envergam, mas não são quebradas por completo? Por que um livro não se transforma em dragão ou uma estátua explode em diversos fragmentos de energia? A resposta, creio eu, está no fato de os itens que vemos no Imaterial serem feitos na maioria das vezes pelas mãos dos homens. A estátua é algo esculpido. As mãos mortais que a moldaram, lhe deram um propósito e ela sabe qual é o seu dever. Os objetos que vergam as leis da natureza são ironicamente aqueles que são os mais naturais. Grandes pedras, por exemplo, se penduram no céu. Nenhuma mão nunca as tocou, nenhuma mente humana as moldou com um objetivo.

Eu suspeito, apesar de nunca o podermos saber, que se os anões sonhassem e moldassem o Imaterial com suas próprias percepções, as pedras não flutuariam.

– De A Forma do Véu, do Encantador Ephineas