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Saí do Empório Negro de mãos vazias por dois motivos. Primeiro: A maioria dos itens era cara demais para o meu bolso. Segundo: Passei quase todo o meu curto tempo lá tentando saciar minha curiosidade quanto ao seu proprietário. Peguei-me lançando olhares ao Antiquário por trás das pilhas de livros, entre as prateleiras e, em dado momento, sobre uma cesta de meias desparceiradas. Ele ficava sentado, como uma pedra, no meio do Empório, a pele de um cinza baço recobrindo tendões firmes, lamuriando-se com uma voz tão árida e débil, que soava como gravetos se quebrando após uma seca.

Outro cliente notou minha fascinação e me contou que a menina, provavelmente uma infeliz tirada das ruas, era responsável pelas necessidades do Antiquário: comida, limpeza e afins. Ele é tão impossivelmente velho e sua pele é tão frágil que não tolera nada além do mínimo toque da menor e mais delicada empregada.

“Só assim ele pode se aproximar de sua juventude perdida”, disse o homem.

Eu estava cercado por objetos lendários, porém nenhum me causava mais fascínio que o Antiquário.

– Da página de um diário encontrado na Cidade Sombra de Kirkwall, escrita por um autor desconhecido.

 

Agradecimentos à Akimi Yamaki.