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Fronteiras Livres é o nome dado a um grupo de ricas cidades-estados localizadas na parte central de Thedas.

Os Fronteiriços descendem de tribos bárbaras e suas cidades fazem parte de uma confederação informal de reinos que raramente se unem, a não ser que um de seus vizinhos maiores se torne agressivo ou uma Podridão exija uma união temporária. Nessa ocasião, os Fronteiriços reúnem uma frente militar unificada que mesmo o maior dos poderes não é capaz de ignorar. Pequenas disputas e alianças entre as cidades, contudo, as impedem de tomar atitudes em conjunto em quaisquer aspectos exceto os mais graves.

As três cidades mais poderosas das Fronteiras Livres são Kirkwall, Starkhaven e Tantervale. Cada uma delas é liderada por um oficial designado que tem o direito de nomear um Campeão da cidade. O campeão é um indivíduo que provou sua dedicação à cidade através de sangue, suor e liderança. O título não é necessariamente um sinal de honra, já que o Campeão pode utilizar métodos que evoquem amor ou medo.

As Fronteiras Livres são mais conhecidas como o celeiro de Thedas.  Suas fazendas ao longo das margens do grande Rio Minanter são a fonte de grande parte dos alimentos do continente.

Dentre as mais famosas tradições dos Fronteiriços está o Grande Torneio. O torneio e feira itinerante se move de cidade em cidade dentro das Fronteiras Livres e ocasionalmente leva seu espetáculo para as terras vizinhas. Na maior parte do tempo, o torneio viaja por toda região e entretém seus habitantes, mas aproximadamente uma vez a cada três anos ele encontra um patrocinador rico o suficiente para custear uma Competição de Armas. Então o Grande Torneio se estabelece em um local por um ano e convoca competidores e espectadores, montando o que frequentemente é chamado de “O Maior Show em Thedas”. Existem rumores sobre quem dirige o torneio e por quê.

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História

Entre -180 e -171 da Era Antiga, os Alamarri liderados por Maferath e Andraste invadiram o Império de Tevinter, tomando as cidades localizadas mais ao sul.  Maferath fez um trato com o Arconte Hessarian que permitia que os Alamarri mantivessem as terras conquistadas em troca do fim da invasão e da vida de Andraste. Entretanto, sua traição foi exposta e ele foi morto por seus próprios filhos, que dividiram as terras recém-conquistadas entre eles. Com a luta interna dos líderes tribais e o enfraquecimento do exército Alamarri, as cidades aproveitaram a oportunidade para se libertar e tornaram-se independentes.

Em 1:95 da Era Divina, a última batalha da Segunda Podridão foi travada em Starkhaven com um exército liderado pelos Guardiões Cinzentos. Os dois lados sofreram grandes perdas, mas Zazikel finalmente foi morto pelo Guardião Corin.

Entre 2:15 e 2:45 da Era Gloriosa Starkhaven se levantou e instigou seu rei, Fyruss, em uma tentativa de unificar as Fronteiras Livres sob sua bandeira e construir seu próprio império. Em 2:80 da Era Gloriosa, Fyruss foi traído por seus aliados de Tevinter e banido de Starkhaven. Como resultado, o Império de Tevinter conquistou a cidade. Isso fez com que a Chantria declarasse uma Marcha Exaltada para libertar Starkhaven do Império.

Em 5:12 da Era Exaltada, o Arquidemônio Andoral acordou causando a Quarta Podridão. As criaturas sombrias devastaram Antiva e Rivain antes de seguirem para as Fronteiras Livres. As cidades de Wycome e Kirkwall foram evacuadas pelos Guardiões Cinzentos e o Forte Haine foi reconstruído para abrigar os refugiados.

Em 5:37 da Era Exaltada, Tylus, o primeiro rei Van Markham de Nevarra, foi coroado depois de se declarar descendente do filho de Drakon, morto em Cumberland. Ele provou sua perícia militar vencendo diversas batalhas contra os orlesianos, o que fez com que Nevarra se estabelecesse como um novo e crescente poder.

Em 7:56 os Qunari desembarcaram perto de Ostwick e atacaram Starkhaven e Kirkwall. Starkhaven resistiu, mas Kirkwall foi tomada graças à magia dos saarebas. A cidade permaneceu sob a dominação Qunari até ser libertada em 7:60 pelo Chevalier Ser Michel Lafaille. Kirkwall foi incorporada ao Império de Orlais e Lafaille foi nomeado Visconde da cidade.

Em 8:05 da Era Abençoada, Kirkwall se rebelou contra Orlais e ganhou sua independência.

Em 8:82 da Era Abençoada, Nevarra começou uma campanha sangrenta para conquistar as Fronteiras Livres. Eles foram interrompidos por Cade Arvale, que foi nomeado Campeão de Tantervalle por sua façanha.

Em 9:21 da Era do Dragão, o Visconde Perrin Threnhold tentou expulsar a Ordem dos Templários de Kirkwall, matando o Cavaleiro Comandante Guylian em um ataque surpresa à fortaleza templária. Foi derrotado pela templária Meredith Stannard, que foi promovida a Cavaleira Comandante. Com o apoio da Chantria, ela indicou Marlowe Dumar como Visconde, mas verdadeiramente mantinha o controle da cidade.

Em 9:31 da Era do Dragão, os Qunari concordaram em encontrar os orlesianos que prometiam devolver o Tomo de Koslun. Porém, o livro foi roubado por uma pirata de Rivain. Depois de uma tempestade, um navio Qunari naufragou na costa de Kirkwall. O Arishok e seu exército foram forçados a permanecer na cidade até recuperar o Tomo de Koslun. Em 9:34 da Era do Dragão, o Arishok decide atacar a cidade, dando início à Primeira Batalha de Kirkwall. O Visconde Dumar é morto durante a invasão. Hawke ajuda a libertar a cidade e por isso é nomeado “Campeão de Kirkwall” pela Cavaleira Comandante Meredith.

Em 9:37 da Era do Dragão, um mago apóstata destrói a Chantria de Kirkwall, dando início a Rebelião de Kirkwall que inspirou magos em toda Thedas a se revoltarem contra o sistema dos Círculos. O Campeão de Kirkwall mata o Primeiro Encantador Orsino e a Cavaleira Comandante Meredith durante a Batalha.

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Cultura e Sociedade

A localização central das Fronteiras Livres em comparação com outras nações de Thedas faz com que a população seja muito diversificada culturalmente. A movimentação de bens e o comércio atraem muitas pessoas de todo o continente e muitos nativos são filhos de pais estrangeiros. Dito isso, é bom ressaltar que a região não é completamente receptiva aos recém-chegados. Muitos cidadãos fronteiriços se ressentem da presença de estrangeiros e veem a influência de outras nações e culturas como uma ameaça ao seu modo de vida. No início da Quinta Podridão, Kirkwall em particular sofreu com o crescimento de um sentimento nacionalista. A presença de tantos refugiados fereldanos e um grupo de Qunari levou os fronteiriços a reagirem com irritação ao que eles viam como uma tomada da cidade por poderes estrangeiros.

Apesar das tendências cosmopolitas da região, a rivalidade entre as cidades normalmente toma precedência ao vínculo de “ser um fronteiriço”.

Serah e Messere são formas comuns de se dirigir a alguém, independentemente de seu gênero, dentro das Fronteiras Livres. Serah é usado para alguém de status igual ou menor, enquanto Messere se refere a uma pessoa de status superior.

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Política

As Fronteiras Livres não têm um governo central, um rei ou uma capital, fazendo com que toda a região seja difícil de proteger e sua economia seja desigual. Cada cidade tem o próprio governo e desconfia da intromissão de seus vizinhos, o que frequentemente leva a tensões entre elas. A forma de governo de cada cidade-estado também varia. O porto marítimo de Kirkwall, por exemplo, é oficialmente liderado por um único governante que recebe o titulo de Visconde, mas a verdadeira autoridade política é do comandante da Ordem Templária local.

Durante os tempos de crise, os mais poderosos mercadores, generais e governantes das Fronteiras Livres podem se unir para lidar com o problema, de uma maneira similar ao que ocorre no landsmeet de Ferelden.

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Kirkwall

Kirkwall é uma grande cidade-estado localizada às margens do Mar do Despertar, construída na superfície rochosa das Montanhas Vimmark. Situada próximo à parte mais estreita do mar, a cidade é um portão para o comércio marítimo entrando ou saindo do coração do continente.

A cidade-estado já sinalizou a fronteira do Império de Tevinter. A então chamada Emerius era a força motriz do comércio de escravos. As estimativas da época eram de que o número de escravos na cidade chegava próximo a um milhão. Eles produziam pedra e aço para o império, trabalhando duro e morrendo nas monumentais fundições e pedreiras da cidade. “Durante o seu auge”, Genitivi escreveu em Cidade das Correntes, “Emerius era uma joia que rivalizava com as mais grandiosas cidades imperiais e os maiores centros de civilização fora de Tevinter”.

A cidade se libertou das garras de Tevinter algum tempo depois da Primeira Podridão. Conforme o império lutava para se reconstruir e suas fronteiras se isolavam, os escravos da cidade se rebelaram. A anarquia se instaurou. A cidade foi renomeada como Kirkwall graças aos seus penhascos rochosos. A cidade-estado ficou conhecida pela rotatividade de seus líderes depois de conquistar sua independência, com senhores da guerra destituindo uns aos outros com a frequência aproximada das mudanças de estações.

Quando os Qunari desembarcaram em Ostwick, Kirkwall se tornou alvo de sua invasão. Os Qunari notoriamente atacaram no meio da noite e, em um gesto raro, usaram saarebas para sitiar a cidade. As cicatrizes de um povo que passou eras acorrentado foram abertas sob a liderança estrita dos Qunari. Eles obrigaram os cidadãos de Kirkwall a se converter ao Qun e a cidade regrediu ao seu papel antigo de centro de trabalho forçado.

“O antigo bairro dos escravos na Cidade Baixa, ainda intacto depois de séculos, forneceu o meio perfeito para os Qunari controlarem o povo da cidade”, Irmão Genitivi escreveu sobre a ocupação.

Pelo menos esse período em que os Qunari controlaram Kirkwall foi breve. Quatro anos após a ocupação, forças orlesianas adentraram a cidade e a retomaram. Ser Michel Lafaille, o Chevalier que liderava a missão, foi declarado o primeiro visconde da Kirkwall, respondendo diretamente ao imperador.

Kirkwall permaneceu sob a jurisdição orlesiana até 8:05 da Era Abençoada, quando seu povo se rebelou e conquistou sua independência. O título de visconde dado ao líder da cidade perdurou.

Desde sua independência, Kirkwall presenciou ainda mais agitação. Em 9:21 da Era do Dragão, um visconde foi removido a força de seu escritório por tentar banir os templários. Então, em 9:37, a cidade foi o sítio de uma revolta que incitou um crescente conflito entre magos e templários por toda Thedas.

O brasão de Kirkwall é a representação de um dragão. Ele evoluiu a partir de um símbolo da rebelião do tempo em que Kirkwall era um centro escravagista de Tevinter. Era uma imagem que catalisava os escravos derrubando os magistrados.  Enquanto o símbolo mudou com o tempo, sua mensagem permaneceu a mesma: Kirkwall é uma cidade livre, sem obrigações com ninguém.

Kirkwall é dividida em distritos baseados em sua posição física em relação à montanha. A Cidade Alta é a residência das maiores autoridades e dos nobres mais ricos da cidade-estado. O distrito também alojava a Chantria de Kirkwall e o centro religioso até sua destruição em 9:37 da Era do Dragão causada por um perigoso mago.

Mais próximo do mar temos a Cidade Baixa, lar dos pobres e classes mais baixas de Kirkwall. Muitos bairros na Cidade Baixa são guetos em degradação. O adventício élfico da cidade-estado situa-se ali.

Abaixo da Cidade Baixa está a Cidade Sombria, uma rede de minas e esgoto que forma uma “cidade subterrânea”, onde criminosos e outros fugitivos buscam refúgio.

As raízes escravagistas de Kirkwall estão aparentes na estrutura da cidade. A Cidade Alta era a residência dos donos de escravos, a Cidade Baixa dos escravos e a Cidade Sombria dos mineiros. Os visitantes que chegam de navio são recebidos por duas gigantescas estátuas de bronze chamadas Gêmeos de Kirkwall que se erguem de cada lado do canal. A imensa corrente que conecta esses homens chorosos pode ser erguida para barrar a entrada da cidade.

Starkhaven

Starkhaven

Starkhaven situa-se nas margens do poderoso Rio Minanter, em um vale verdejante.

A maior cidade das Fronteiras Livres é também a mais magnífica. Muito disso se deve a famosa riqueza de Starkhaven e as maneiras óbvias com que é exibida. Grandes partes da cidade são decoradas com materiais refinados como mármore e ouro. Ferdinand Genitivi, que viajou mais do que qualquer outro por Thedas, escreveu, “A riqueza de Starkhaven era verdadeiramente uma visão a ser contemplada”.

Os mais ricos de Starhaven são os governantes Vael. A devota e orgulhosa família real mantém um magnífico palácio de mármore no coração de Starkhaven, entre as numerosas propriedades majestosas da cidade.  Até mesmo o caminho para o palácio é pavimentado em granito.

Contudo, Starkhaven também tem sua parcela de drama. Com uma propriedade tão rica, os olhos estão constantemente voltados ao trono. Um atentado em 9:31 da Era do Dragão quase exterminou toda a família Vael. A cidade também não conta com uma grande presença do Círculo, já que sua torre foi reduzida a cinzas recentemente.

A cidade-estado foi liderada por um grande número de suseranos que buscavam títulos extravagantes, sendo o último deles Rei Punho de Ferro. Depois que o reinado de Punho de Ferro foi pacificamente encerrado, o povo da cidade implorou que o nobre que liderou o protesto – Vael – fosse o seu novo rei. Sentindo que ninguém era digno de tal título e que ele encorajaria a corrupção, Vael se recusou, declarando que o título supremo de Starkhaven seria o de Príncipe.

Starkhaven é famosa por sua culinária. Seu prato mais emblemático é torta de peixe e ovo. Existem muitas variações, mas o prato é feito tradicionalmente usando peixe fresco e sem espinha, preparado em porcelana com ovos cozidos, frutas secas, temperos e creme sob uma fina crosta.

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Outras Cidades Fronteiriças

Ostwick: quando os Qunari desembarcaram pela primeira vez nas Fronteiras Livres, foi na cidade-estado de Ostwick, próximo à foz do Mar do Despertar. Sua famosa muralha dupla mostra o efeito que isso causou nos nervos de seu povo. Seu governante recebe o título de Teyrn.

Tantervale: a lei da Chantria é absoluta em Tantervale, o que faz com que a cidade ganhe uma reputação severa. A guarda da cidade é obcecada com o cumprimento da lei. Um menino de rua ficaria um ano no calabouço por algo que lhe renderia um tapinha nas costas em Orlais. Seu líder é chamado de Lorde Chanceler.

Ansburg: a expressão “fim de mundo” é bastante usada para descrever Ansburg, mas essa cidade-estado central é um movimentado, senão belo, centro de comércio agrícola. Seu líder recebe o título de Margrave.

Markham: a cidade irmã mais culta de Ansburg é a residência de uma das maiores universidades em Thedas, um centro de pesquisa agrícola.

Hasmal: a posição distante da cidade-estado à beira das Planícies Silenciosas significa um fluxo constante de refugiados de Tevinter, que costumam ser escravos fugidos.

Wycome: amplamente considerada como a mais autônoma das Fronteiras Livres, a capital da farra de Thedas é também a segunda maior importadora de vinho antivano depois de Orlais – particularmente impressionante considerando que a população de Wycome representa menos de um terço da de Val Royeaux.

Hercinia: a suntuosa cidade-estado localizada na costa de Amaranthine seria o destino de férias ideal se não fosse pelas taxas e pela atividade frequente de assaltantes.

Estwatch

Estwatch

A ilha de Estwatch tecnicamente não faz parte de nenhuma jurisdição, embora não seja por falta de tentativa. Cidades fronteiriças como Kirkwall, Starkhaven e Hercinia tentaram reivindica-la e falharam. Mas Estwatch é um notório porto ilícito para piratas e, como a ilha maior de Llomerryn, dominada pela infame Felicisima Armada.

O Império de Tevinter foi o primeiro a se estabelecer na ilha, por volta de -880 da Era Antiga. O Império fortificou a maior baía natural com uma muralha defensiva e usou a ilha como cais para navios de guerra em reparo durante suas campanhas militares e escravagistas contra os bárbaros Alamarri do sul de Thedas.

Logo antes da Primeira Podridão, o porto estava em uso constante, mas a agitação política que envolveu a Podridão restringiu bastante as campanhas navais no Mar do Despertar. No final da Podridão, o porto de Estwatch caiu em desuso. Quando os exércitos de Andraste alcançaram a ilha em -180 da Era Antiga , eles encontraram o forte completamente abandonado.

Durante as Eras Divina e Gloriosa, a ilha permaneceu desocupada. Destroços de navios que sucumbiram nas rochas ao longo da costa das Fronteiras Livres se depositaram nas margens da ilha, criando a superstição de que ela é amaldiçoada. Enquanto a ilha era repetidamente reivindicada por várias cidades, o medo do lugar fazia com que ninguém estabelecesse um domínio permanente.

Durante a Era da Tormenta, Estwatch novamente foi usada como base naval. Os Qunari capturaram-na em 7:54 da Era da Tormenta e a usaram como ponto de lançamento de seus ataques às Fronteiras Livres, Nevarra e Orlais. Durante as Marchas Exaltadas, ela foi o sítio de diversas batalhas armadas. Os Qunari dominaram Estwatch até 7:78 da Era da Tormenta, quando a Felicisima Armada, com o apoio das novas Marchas Exaltadas, combateram em uma batalha titânica nas águas que circundam a ilha. Ela terminou com o naufrágio de um couraçado e com os assaltantes tomando o porto.

Uma pequena cidade floresceu ao redor daquele porto e ganhou o nome de Pequena Llomerryn, um cumprimento a sua cidade irmã igualmente rebelde.

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Geografia

Povoados: Ansburg; Hambleton; Hercinia; Kaiten; Kirkwall; Markham; Ostwick; Starkhaven; Tantervale; Wycome.

Traduzido e adaptado por Mey Linhares.

Fontes:

The World of Thedas Volume 1

Dragon Age Wikia