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Oito anos depois da batalha que retomou o poder das mãos dos orlesianos, o então Rei Maric finalmente permite que os lendários Guardiões Cinzentos, exilados há duzentos anos, voltem a Ferelden. O segundo livro da série começa quando a comandante dos Guardiões, Genevieve, solicita uma audiência com Maric. Ela pretende entrar nas estradas profundas com um grupo de seus homens em busca de seu irmão que teria ouvido o chamado, e precisa de alguém que conheça bem o lugar.  Ignorando os conselhos de Teyrn Loghain, o Rei Maric decide acompanha-los e servir de guia nessa expedição suicida.

O livro se alterna entre o arco dos Guardiões e o do irmão de Genevieve e suas experiências com as criaturas sombrias. Talvez por esse motivo, ao contrário de seu antecessor, The Calling seja bastante lento no início. Quando começava a me interessar pela história, o autor mudava para a visão de outro grupo de personagens. Porém, da metade em diante, o ritmo começa a ficar frenético, com batalhas e revelações importantes.

Aqui nos são apresentados, entre outros, Duncan e Fiona, recentemente recrutados para a ordem dos Guardiões, e o Arquiteto, um tipo diferente de Criatura Sombria que tem a capacidade de pensar e se comunicar como um humano. E devo dizer que David Gaider melhorou bastante nesse ponto, nos mostrando personagens muito mais profundos e que amadurecem ao longo da história.

O conceito de diversidade que permeia esse RPG também está presente em The Calling, que não só nos traz um relacionamento homoafetivo como trata desse tema de uma maneira muito delicada e natural. É impossível não se emocionar com o destino desses dois personagens e com a beleza de sua relação.

Falando um pouco dos pontos negativos, a história acaba se tornando previsível em alguns momentos. Antipatia que se transforma em tensão sexual? Clichê. Apesar de ser bem desenvolvida ao longo da história, a relação entre Genevieve e seu irmão também tem um final problemático. É frustrante esperar que eles finalmente se confrontem com todos os sentimentos que mantiveram guardados por anos e ver essa cena resumida em meia dúzia de palavras e um término mal resolvido.

De um modo geral, acredito que a história no The Calling seja mais bem trabalhada do que no primeiro livro. Aliado a isso, temos personagens interessantes e eventos diretamente conectados com o primeiro jogo da série. Para quem gostou de Dragon Age: Origins, e deseja compreender melhor o cenário em que se passa, essa obra é essencial. Como bônus, você encontra a primeira referência ao Alistair, que se torna companheiro de seu herói no game.