Por Yasmin Alves (De Lua e Tinta)

            As chamas que consumiam Lothering pareciam zombar das pessoas que fugiam da cidade. A densa fumaça cinzenta ascendia aos céus impetuosa, obscurecendo mais o firmamento escarlate.

            Embora a fadiga pesasse em seus músculos e respirações, a família Hawke prosseguiu em sua fuga. A filha mais nova, Bethany, corria ao lado da mãe, Leandra, enquanto seus irmãos mais velhos afugentavam os soldados darkspawns que surgiam em seu caminho.

            Uma horda apareceu pela lateral rochosa da subida ao mesmo tempo que outros vieram por trás. Carver e Selene atacaram em direções opostas, quase em sincronia perfeita; a lâmina da espada extensa do rapaz cortou as articulações de uma dupla de adversários, e a maga fez com que uma bola de fogo nascesse na palma de sua mão e voasse contra os soldados à direita.

            Bethany inspirou fundo, bateu o cajado e ergueu uma barreira energética logo atrás da família. Aquilo foi eficiente: um grupo remoto de adversários despontou no horizonte e grunhiu inconformado ao avistar o obstáculo.

            — Pelos deuses, tudo destruído! — Leandra olhou para trás com os olhos cheios de lágrimas. — Tudo que eu e o pai de vocês construímos… Tudo perdido!

            — Mãe — Selene aproximou-se —, pelo menos estamos vivos.

            Os olhos dourados de Bethany voltaram-se para os de Carver:

            — Aonde vamos?

            — Não adianta olhar para mim — o mais velho grunhiu desolado.

            — Precisamos de um plano.

            O rapaz respondeu rude:

            — Sério mesmo? Como você é inteligente.

            Selene rolou os olhos:

            — Tudo bem, fiquem quietos vocês dois e prossigamos. Aqueles caras ali não esperarão que vocês façam as pazes — moveu a cabeça na direção dos darkspawns próximos à barreira de Bethany, os quais tentavam ultrapassá-la com ferocidade.

            Leandra interviu hesitante:

            — Talvez tenhamos um plano, sim — os filhos olharam para ela. — Gamlen reside em Kirkwall. Podemos ir para lá e ficar com ele.

            Bethany franziu o cenho:

            — Mas Kirkwall não fica para o lado oposto, mamãe?

            — Oposto ou não, vamos logo. Nós daremos um jeito — Carver sentenciou. Fitou Selene e pediu: — Vá à frente, irmã.

            — Com todo prazer — a moça sorriu e ergueu o bordão.

            Será que se eu me tornar uma maga como Sel, Carver vai parar de implicar tanto comigo?, a caçula conteve um suspiro amuado.

            Após mais alguns minutos numa corrida silenciosa, a família deparou-se com outro grupo de adversários sádicos. Carver jogou-se sobre dois alvos e girou com sua espada como se dançasse contra as criaturas ressequidas. Selene concentrou-se e mais uma esfera de fogo formou-se em sua mão, lançou-se selvagem e dilacerou um darkspawn à frente. Leandra escondeu-se atrás de Bethany, com o coração aos pulos; a garota meneou seu cajado e congelou um inimigo a alguns centímetros de distância de ambas. Carver finalizou a criatura, transpassando a lâmina de sua arma em seu pescoço, desmontando as vértebras naquele ato.

            — Esperem, o que é aquilo? — Selene notou um grupo que não os atacaram.

Assim que os Hawke voltaram suas atenções para o mesmo lado que a jovem, repararam no casal que enfrentava os darkspawns isolados. O ritmo da batalha decaiu para os humanos quando o homem fraquejou e sua espada encontrou-se com o chão num baque surdo. Uma ferida profunda em seu braço direito indicou o porquê da vulnerabilidade repentina, tanto diante dos refugiados quanto dos humanoides.

            — Vocês não nos pegarão com vida! — a mulher grunhiu colérica para os adversários, tomou a espada de seu marido e desferiu um soco na face ossuda de um deles, lhe partindo com a lâmina em seguida.

            — Temos que ajudá-los! — Bethany sugeriu impulsiva.

            Os irmãos correram até o grupo, gritaram para chamarem as atenções dos guerreiros medíocres. As criaturas os ouviram e viraram-se, permitindo que a mulher loira atacasse outro distraído. Mais alguns golpes metálicos foram o suficiente para derrotarem os soldados sombrios.

            — Fiquem longe! — o homem que vestia a armadura templária ergueu as mãos, ríspido. — Vocês são apóstatas! Pude ver suas ações e isso não passar…

            — Wesley, eles nos ajudaram — a esposa o interrompeu. — Agora não é hora.

            — Apóstatas nunca serão tolerados — ele a ignorou, arrastando-se trôpego na direção de Selene e Bethany. — O lugar de vocês é o Círculo de Magi.

            — Guarde sua ladainha para quando estiver em condições de se manter em pé, templário — a irmã mais velha rosnou.

            — Wesley — Aveline o chamou outra vez, constrangida.

            — Mantenha seus olhos abertos, maga — ele encarou a jovem de tez morena com frieza.

            Aveline desprezou a troca de ameaças e os saudou formalmente:

            — Sou Aveline Vallen e este é meu marido, Ser Wesley. Peço desculpas pela inconveniência. Acho que estamos todos no mesmo barco, não?

            — A maior inconveniência aqui é ter um templário por perto — Bethany resmungou. Leandra ouviu e a olhou com uma carranca. A filha dissimulou: — Que foi?

            — Sem problemas. Sou Carver Hawke. Elas são Selene, Bethany e Leandra, nossa mãe. Vocês querem se unir a nós?

            As mulheres da família olharam para o rapaz com perplexidade.

            — Claro — Aveline assentiu. Fitou Wesley. — Se estiverem indo para um lugar seguro, aceitamos a companhia.

            — É o que faremos — Selene tomou a frente. — Sigam-me; se surgirem mais alguns desses malditos pelo caminho, eles descobrirão que sabor as chamas têm em primeira mão.

            Sem relutância, a amazona e o templário uniram-se aos Hawke. Bethany aproximou-se sutil de Aveline e murmurou:

            — Quer que eu ajude a cicatrizar o ferimento dele? Será melhor para ele lutar conosco — por mais que seja outro templário tolo.

            — Não, obrigada — a mulher sorriu. Bethany pensou em insistir, mas assentiu a cabeça e voltou ao lado da mãe.

            Wesley suspirou:

            — Estávamos pelas redondezas. Na verdade, eu estava em uma missão quando soube sobre Ostagar.

            — E fomos surpreendidos pelos demônios — Aveline completou com tristeza.

            Selene indagou sem virar-se para trás:

            — Sabem de algum bom caminho para o porto?

            — Temos apenas duas escolhas; o sul ou a morte — o templário respondeu mordaz.

            A maga olhou ligeiramente sobre o ombro:

            — Então já sabemos para onde ir. Vamos subir pela colina mais próxima e descobrir onde estamos.

            E as instruções de Selene se fizeram. Entretanto, assim que chegaram próximos ao fim da subida, mais soldados surgiram por todos os lados.

            — Wesley, esconda-se! — Aveline apontou para uma rocha encostada num curioso declive do próprio cume, onde havia espaço para se ocultar sob.

            O templário moveu-se desajeitado para o canto, enquanto o grupo avançou contra os adversários insistentes.

            — Maldito seja quem iniciou essa guerra! — Carver bradou cortando tecidos putrefatos e ossos velhos.

            Selene e Bethany deram as costas uma para a outra, uniram-se e convocaram esferas de fogo e gelo contra os darkspawns, causando uma reação de choque térmico em seus corpos, trincando suas armaduras centenárias. Quando houve uma trégua, a caçula olhou sobre o ombro e brincou:

            — Agora é oficial considerar que estou à sua altura?

            — Eu sempre disse que você era tão habilidosa quanto eu, irmãzinha — Selene sorriu gentil.

            Mal Bethany esboçou um sorriso, um grunhido bestial soou. Todos arrepiaram-se, e sem tardar um troll subiu pelo norte a passos pesados, com seus chifres compridos voltados para o céu e o olhar colérico, nos humanos.

            — Pelo Criador, o que é isso? — Leandra gaguejou.

            — Não — Wesley resfolegou e tentou se erguer, sem sucesso.

            Sem cerimônias a mais, o troll correu na direção das magas. Bethany estremeceu e perdeu a concentração, Selene bateu o bordão no chão e ergueu uma barreira mágica de proteção. Porém aquilo não foi o suficiente para deter o monstro, que empurrou ambas e as fez rolar pela ladeira do lado oposto.

            — Meninas! — Leandra entrou em pânico.

            — Você vai se arrepender por isso, assim que eu arrancar seus chifres! — Carver avançou contra a criatura. O troll apenas ergueu um braço e o empurrou para trás.

            Aveline aproveitou a breve distração e o golpeou nas costas. O monstro urrou em desaprovação e virou-se bruto para o lado atingido.

            Bethany ergueu-se com a visão turva e as costas latejando de dor. Tomou seu bordão e correu acima com as pernas trêmulas de hesitação e ira. Selene encontrava-se em situação semelhante e tentou erguer-se ligeira para alcançar a irmã, porém a vertigem a manteve no chão. Virou-se de barriga para baixo e engatinhou, à procura de seu cajado.

            — Fique longe! — Bethany meneou o cajado e congelou o braço esquerdo do troll. A criatura grunhiu e tentou erguer o punho imobilizado. Aveline e Carver atacaram o flanco direito, obtendo uma breve vantagem, porém o monstro notou que o gelo havia deixado o membro mais pesado e o usou contra os dois guerreiros.

            — Criador, dai-me forças — a garota rogou, com uma olhadela para a mãe e Wesley.

            Selene encontrou seu cajado, fincou-o no chão, apoiou-se e ergueu-se a partir dele. Subiu a passos mancos e o mais rápido possível para o cume. Ouviu o esbravejar dos irmãos e tentou gritar, mas sua voz falhou:

— Bethany, você não pode enfrentá-lo…

            A irmã mais jovem avançou contra o troll, movendo o bordão em círculos pelo ar, numa tentativa de convocar uma tempestade sobre ele. Porém o adversário não respeitou o intervalo, lhe agarrou pelo tronco e lhe jogou contra o chão uma, duas, três vezes. A cada impacto, o solo sob os pés de todos estremecia.

            — Bethany! — Carver e Leandra gritaram horrorizados; a mãe caiu de joelhos e as lágrimas verteram-se quentes e amargas por seu rosto.

            — Não! — Selene rosnou ao ver o corpo da irmã quebrado e inerte. O olhar, outrora perdido, fixou-se agressivo no monstro.

O ódio borbulhou em seu sangue. Hawke inspirou fundo, fechou os olhos e concentrou-se. Meneou o cajado, formou uma esfera incandescente de altura semelhante à sua, direcionou-a para o troll e a criação arcana engoliu a criatura num piscar de olhos. O monstro urrou de dor e debateu-se em sua cadeia de chamas. A criação de Selene tomou a forma de um dragão de corpo extenso, ascendeu aos céus verticalmente e explodiu nas alturas com seu prisioneiro.

            Após a matéria se dispersar pelo ar, um silêncio melancólico estabeleceu-se no topo da colina. Com os passos oscilantes e uma crescente vontade de vomitar, Selene caminhou na direção da caçula e ajoelhou-se ao seu lado, sem coragem de tocar no corpo ferido: o pescoço e braço direito deslocaram-se. O bordão da irmã virara fragmentos de madeira e seu rosto sustentava uma expressão de quem pedia perdão.

            — Você não precisava pedir desculpas por falhar… — eu que falhei, Selene inclinou-se sobre ela e não conteve sua tristeza.

            — Bethany, acorde, por favor — Leandra correu na direção de ambas, atônita. — Vamos, meu amor, levante-se, acabou. Acabou.

            Carver olhou para a direção de onde vieram e ciciou:

            — Agora nosso pai terá companhia.

            — Que o Criador seja justo com essa jovem — Wesley caminhou até o grupo e rogou.

            — Se é que ainda existe justiça em algum lugar — Selene cravou os dedos na terra.

            — A culpa é inteiramente sua! — Leandra atacou a filha. — Se não tivesse nos trazido até aqui, nada disso teria acontecido!

            — Não tínhamos um caminho melhor, mãe! — a maga rebateu. — E acredito que Bethany não queria que sua morte fosse motivo para brigarmos!

            — Não quero uma heroína, só quero minha garotinha de volta! Minha criança, minha pequena… — a mãe estava desolada, apenas com os dedos pousados na face lívida de Bethany, com tanto medo quanto Selene de mover o corpo quebrantado mais do que o devido.

            — Temos que ir — Carver evocou. Selene o olhou de soslaio e teve a impressão de avistar uma lágrima teimosa no canto de seu olho direito. Mas ela sabia que ele a seguraria até encontrar-se com a solidão.

            Como antes, mais darkspawns surgiram, sedentos por destruição. Todos se levantaram e observaram a aproximação hostil.

            — São tantos, o que faremos? — Aveline estremeceu.

            De repente, um grito reptiliano soou da parte alta do declive. Criaturas e humanos voltaram-se para o lado de onde viera o aviso e depararam-se com um dragão púrpura, dono de chifres espiralados e asas que cobriam o local quando abertas.

            A fera saltou contra os darkspawns, cuspindo labaredas incandescentes e movendo a cauda brutamente como uma maça. Não tardou para que uma pilha de ossos e cinzas se formasse no topo da colina.

            Todos recuaram, protegendo Wesley e Leandra com seus próprios corpos, quando a criatura caminhou em direção ao grupo. Os olhos de íris verticais encaravam os humanos com presunção, e uma garra arrastava a metade de um corpo. Então, dentre a fumaça, a criatura tomou a forma de uma mulher de postura rígida e olhar profundo, trajando uma armadura de coloração semelhante à forma draconiana. Ela largou o corpo no meio do caminho, parou há poucos metros dos viajores e estalou a língua:

            — Ora, ora, o que temos aqui?

            — Não sei quem você é — Selene enxugou a última lágrima —, mas acho melhor que fique onde está.

            — Sério? — a maga fingiu surpresa por um breve momento. — Criança, se eu quisesse matá-los, já teria feito isso tão rápido e eficiente quanto todos os darkspawns juntos. O que os traz até aqui?

            Carver respondeu hesitante:

            — Lothering fora incendiada.

            — E vocês fugindo? Seu rei não sentirá falta de vocês?

            Selene respondeu grossa:

            — Ele está morto.

            A mulher pôs as mãos na cintura e analisou:

            — Então os boatos de mais cedo são verdadeiros; o reino decaiu de vez. Minha dúvida foi sanada, obrigada — deu as costas.

            — Por favor — Carver avançou, aparentemente contrariado —, nos ajude pelo menos a combater esses demônios que não param de surgir pelo caminho.

            Aveline o censurou:

            — Você não deve pedir ajuda à Bruxa dos Selvagens.

            — Bruxa dos Selvagens? — o guerreiro franziu o cenho, perplexo.

            A maga rolou os olhos:

            — Ah, mais uma historinha para amedrontar crianças.

            Selene finalmente reconheceu quem estava diante deles:

            — Flemeth? — ao receber o olhar felino da outra, suas dúvidas também foram saciadas. — Agora me lembro de você. Já ouvi muito a seu respeito. Só não imaginava que… — oscilou.

            — … Eu sou real? — a mulher riu esnobe. — Há muitas coisas nesse mundo que as pessoas limitam à fantasia. E respondendo à pergunta desse rapaz interesseiro, não tenho vontade nenhuma de me unir a vocês. Ainda mais por estarem indo à fonte das criaturas malignas.

            Leandra revelou:

            — Queremos partir para Kirkwall, na verdade.

            — Fica para o outro lado. Pelo visto, além de serem ímãs para confusões, têm um péssimo senso de direção.

            — Os outros caminhos foram interditados. Viemos até aqui para procurar por uma rota alternativa — Selene respondeu firme, embora a vontade de chorar pela irmã persistisse.

            — Entendi. Já que vocês provavelmente se estriparão se continuarem pela própria Fortuna, tenho uma proposta para vocês; levem este amuleto até Marethari, a Guardiã dos Dalish. Eles ficam próximos a Kirkwall — a Bruxa ergueu um medalhão dourado sem pestanejar.

            A maga Hawke hesitou:

            — Como poderemos levar isso se você mesma disse que nos mataremos por conta própria?

            — Digamos que uma bruxa velha irá ajudá-los a chegar ao porto mais próximo num piscar de olhos — a outra sorriu vagamente sinistra. — Aceitem o trato e chegarão vivos até Kirkwall. Mas lembre-se de cumprir sua parte quando chegarem por lá também. Caso contrário, os resultados serão bem piores.

            Wesley intrometeu-se:

            — Nós nunca cairemos em sua conversa! Você quer apena… — uma pontada de dor percorreu o corpo do templário, o qual caiu de joelhos e apoiou-se nos cotovelos.

            — Wesley! — Aveline correu em sua direção, sem saber como segurá-lo.

            Quando Selene se deu conta, a Bruxa estava ao seu lado e o amuleto em sua mão. Flemeth disse mais:

            — E pelo visto, vocês terão menos um logo, logo.

            — Você está mentindo! Ele ficará bem! — Aveline protestou.

            — Lady Aveline, você não quer que eu o cure? A não ser que ele realmente tenha aversão até à ajuda vinda de um mago — Selene indagou.

            A outra maga apenas cruzou os braços e expôs sem escrúpulos:

            — Não há cura. Ele está quase no fim da corrupção.

            — Corrupção? — Selene arregalou os olhos.

            — Posso ver daqui. Ele fora ferido fatalmente e seu sangue entrou em contato com o das criaturas sombrias. Daqui a pouco, ele se tornará uma delas.

            Wesley cedeu:

            — Ela está certa — encostado na rocha do declive, fitou a esposa: — Você precisa acabar com isso, meu amor. Estou me sentindo cada vez mais… estranho.

            — Wesley, por favor, não diga isso. Você sabe que eu não posso! — Aveline relutou.

            A maga fitou Flemeth:

            — Não há nada que possamos fazer?

            — A única pessoa que poderia curá-lo está muito longe daqui. Um Grey Warden, para ser exata — por um momento, pareceu que a apóstata selvagem se compadeceu com o sofrimento alheio.

            A amazona murmurou melancólica:

            — Todos morreram em Ostagar.

            — Aveline, por favor… Me tornarei um monstro como eles. Não quero isso. Não quero fazê-la sofrer mais — tocou no cabo da espada que Aveline tinha em mãos. — Por favor, minha querida.

            Carver desviou o olhar, Leandra chorava em silêncio. Selene cogitou por um instante a ideia de matar Wesley no lugar de Aveline, mas a quantidade de sangue derramada naquele dia ultrapassara seus limites. A jovem apenas ajoelhou-se ao lado da amazona e afirmou:

            — Ninguém merece o castigo de tornar-se um eterno soldado do mundo sombrio… Sinto muito — sua voz quebrou-se.

            — Obrigado, Hawke — pela primeira e última vez, Wesley encarou a moça sem ódio. Assim que Aveline removeu o peitoral da armadura do marido condenado, ele a fitou afável e balbuciou: — Sempre te amarei, Aveline.

            E o sangue de Wesley verteu-se nas mãos da amada e no chão que firmava-se sob seu corpo.

            — A vida não é justa. E ela é uma amiga íntima da morte há milênios — a Bruxa deu os ombros. — Arrumem-se logo e me sigam. Os mostrarei como a mágica acontece — proferiu um enigma a parte: —, o trabalho de vocês está apenas no início…

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